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REPORTAGEM
O poderoso mercado gay
Empresas descobrem a força
desse milionário segmento, formado por um
consumidor que gasta mais que o heterossexual e
é fiel às suas marcas
FONTE:
Por Lilian Cunha - ISTO É DINHEIRO
A
Parada de São Paulo tornou-se o principal evento
da cidade, deixando para trás até o milionário
circo da Fórmula 1, segundo a São Paulo Turismo
(SPTuris), órgão oficial de turismo da capital
paulista. A Parada atrai cerca de 600 mil
turistas, que vêm para participar da
manifestação, fazer compras e se divertir nos
bares, restaurantes e casas noturnas
paulistanas. "São pessoas que chegam com uma
semana de antecedência e permanecem na cidade
até o final do evento. Fora transporte e
hospedagem, gastam no comércio local de R$ 180 a
R$ 200 milhões", diz Caio Luiz de Carvalho,
presidente da SPTuris. "Os gays são o cliente
que todo mundo quer: gastam muito e ficam
bastante tempo." Com tanta gente e dinheiro, é
de se concluir que o evento tenha muitos
patrocinadores, dispostos a mostrar seus
produtos para esse público poderoso, como
acontece com outras Paradas, no mundo todo. A de
São Francisco, nos Estados Unidos, por exemplo,
reúne pouco mais de 1 milhão de pessoas e tem o
apoio de gigantes como Bank of America,
MasterCard, Pepsi, Delta Airlines, entre outros.
Aqui, a história é outra. As empresas ainda não
apoiam o evento, mas já estão de olho no
potencial desse mercado. Segundo IBGE, 10% da
população do Brasil é homossexual. Pela visão
corporativa, são 18 milhões de consumidores.

Fotos: Ana Paula Paiva |
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Franco
Reinaudo, diretor da operadora de turismo
Álibi e fundador do Bureau de Negócios
GLS: "Para o público gay, a postura da
empresa conta tanto quanto a qualidade do
produto" |
“As empresas estão se preparando
agora. É uma fase de transição entre um mercado
que era tabu para uma grande oportunidade de
negócio”, diz Franco Reinaudo, sócio da
operadora Álibi Turismo, e fundador do Bureau de
Negócios GLS, um grupo de empresários gays e
simpatizantes, empenhados em promover negócios e
dar consultorias para empresas que querem dar
mais atenção a esse consumidor. O Bureau,
segundo ele, tem sido requisitado por várias
companhias - a maioria multinacionais - para dar
treinamento a executivos e funcionários sobre
como lidar com os gays. "Para o público GLS, não
é só a qualidade do produto que interessa, mas
também a postura da empresa", diz Reinaudo. Veja
o exemplo da IBM. A multinacional da informática
está estudando a possibilidade de abrir uma
gerência de vendas exclusiva para lidar com
consumidores gays. "Já existem quatro gerências
dessas nos Estados Unidos", diz Eleonora Campi,
gerente de vendas para América Latina e
presidente do Comitê de Gays, Lésbicas,
Bissexuais e Transgêneros (GLBT) da IBM. O
comitê é formado por funcionários e sua função é
promover a diversidade dentro da empresa. "O
lema da IBM é a inovação. É importante ter
diversidade dentro da companhia pois assim temos
diferentes visões sobre um mesmo tema", diz
Eleonora. É isso, segundo ela, que favorece a
inovação.

Fotos: Ana Paula Paiva |
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André
Victória da Silva, gerente-geral do Grand
Mercure Hotel Ibirapuera, em São Paulo: "Nossa
expectativa é atingir lotação máxima no
final de semana da Parada Gay" |
A seguradora American Life é
outra que resolveu apostar no chamado “pink
money” (dinheiro cor-de-rosa). Ela lançou no mês
passado o Vida Freedon, o primeiro seguro de
vida para casais gays do País. Segundo o diretor
da empresa, Francisco de Assis Fernandes, não há
estimativas de quanto a população gay do Brasil
movimenta financeiramente. Sabe-se apenas que
esse consumidor gasta 30% a mais em bens de
consumo em comparação com um heterossexual de
mesma condição social. E justamente nesse
mercado promissor e carente que a American Life
está de olho. "Claro que quando surgiu a idéia
do Vida Freedon, tivemos medo de ficar
conhecidos como a seguradora dos gays. Mas isso
é bobagem. Vimos que, ao comunicar nosso produto
dentro da comunidade, quem é de fora nem fica
sabendo", diz o executivo. A aceitação do
seguro, segundo ele, foi tão boa que acabou
chamando a atenção da Tecnisa Construtora e
Incorporadora, uma das maiores do País, que se
propôs a dar um ano de seguro para cada casal
gay que comprar um de seus apartamentos.

Fotos: Ana Paula Paiva |
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Francisco
Fernandes, diretor da American Life, que
lançou o primeiro seguro para casais gays: "
A aceitação do seguro foi tão boa que a
construtora Tecnisa nos ofereceu uma
parceria" |
"O que para uns é preconceito,
para nos é negócio", diz Romeo Deon Busarello,
diretor de marketing da construtora. Há três
anos, ele convenceu a construtora a investir em
peças publicitárias voltadas para o público gay,
em sites da comunidade homossexual. Hoje, 12%
das vendas da Tecnisa (que não divulga
faturamento) vêm do público GLS (Gays Lésbicas e
Simpatizantes). Na hora de escolher o
acabamento, por exemplo, o casal homossexual
gasta 25% do valor do apartamento, enquanto que
os heterossexuais não aplicam mais de 12%. Os
gays, segundo Busarello, gostam de banheiras com
hidromassagem e mármore carrara italiano. "Não
construímos prédios cor-de-rosa. Apenas
divulgamos que somos uma empresa que aceita a
diversidade".
Diversidade, aliás, é o mote do
treinamento promovido por dois dos maiores
hotéis de luxo de São Paulo: o Mercure Grand
Hotel e o Sofitel. “Nesses cursos mostramos aos
funcionários como lidar de forma adequada a
situações que fogem da rotina. Atender a um
casal de namorados gays, por exemplo”, diz André
Victória da Silva, gerente-geral do Mercure. O
hotel, pela primeira vez, está anunciando
pacotes de hospedagem em sites GLS. A
expectativa é atingir lotação máxima no fim de
semana da Parada. No Sofitel, que também
promoveu o mesmo treinamento, a meta é um
aumento de 7% na ocupação. Detalhe: a diária da
suíte mais barata é de R$ 400. E não há mais
vaga. Deu para perceber como é poderoso esse
mercado?
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O perfil do público
gay |
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18 milhões de
brasileiros são gays, 10% da população |
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30% é
o que eles gastam a mais do que os héteros |
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40% estão
em SP, 14% no RJ, 8% em MG e 8% no RS |
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36% são
da classe A, 47% são da B e 16%, da C |
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57% têm
nível superior, 40% médio e 3% ensino
fundamental |
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Fonte das estatísticas:
empresas e CENSO GLS - Instituto de Pesquisa
e Cultura GLS
(www.censogls.com.br), uma joint-venture
entre as empresas GLS Planet e JUMP
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